#BodyPositive - A minha história com meu corpo

quinta-feira, junho 01, 2017



Quero começar esse post explicando que tudo que eu disser é 200% o que vivi ou vi. Não sou dona da verdade e nem a regra, aliás, somos todos exceções em alguma coisa da vida, não é mesmo?

Dito isso, vou começar a contar sobre as minhas perspectivas de "corpo ideal" ao longo da vida. 

Quando eu era criança, não dava a mínima para esse tipo de coisa, andava de top quando estava muito calor, mostrando a barriga gorducha e estava feliz. Comia lanches do Mc Donald's (só para ganhar os brinquedos) e fazia a festa na loja de doces que minha mãe tinha na época. Só que aos poucos, minha mãe foi me "ensinando" que eu deveria emagrecer, parar de comer besteira, cobrir a barriga, me comparar à minha amiga magra da escola. Sei que no fundo, ela estava vendo pelo lado positivo, que isso faria de alguma forma eu emagrecer e ter uma vida saudável. Mas infelizmente ela estava errada e não sabia o quanto isso poderia me afetar em um futuro próximo. 

Demorei para perceber que algumas amigas minhas eram diferentes, usavam roupas que eu não poderia usar por conta do meu tamanho, que os meninos da escola olhavam para elas diferente de como olhavam para mim. Na minha cabeça, não fazia sentido, eu me via igual à elas. Até que, na pré-adolescência comecei a ver que eu estava "errada", era gorda e não poderia fazer ou ter as mesmas coisas que outras meninas, porque não éramos iguais. Meu sonho passou a ser magra. Desejava mais do que qualquer coisa, quando crescer, ser uma daquelas mulheres que via nos programas de TV, com a barriga lisinha, proporcional. 

Ainda adolescente eu comecei a criar dietas malucas, pegava as revistas que a minha mãe guardava e queria copiar os sucos e shakes milagrosos. Acreditava que minha vida mudaria da água pro vinho quando finalmente ficasse magra. 

Um detalhe importante para ser citado: Tenho uma irmã mais nova, adolescente, vivendo as mesmas coisas que vivi. Com um porém, ela é magra e alta, um biotipo completamente diferente do meu, mas com as mesmas paranoias de que tem celulite, dobrinha na barriga... Ela já chegou a dizer que estava gorda porque comeu um pouco a mais. Isso, ela aprendeu "sozinha", não fui eu ou minha mãe que dissemos algo, foram as influências que ela recebe diariamente que a ensinou que celulite ou dobrinhas na barriga devem ser abominados da vida de uma mulher. 

Voltando à minha adolescência, em um determinado momento, eu simplesmente desliguei essa chave de paranoias e decidi aproveitar a vida como eu bem entendesse, fosse gorda ou magra. Comia o que me dava vontade, sem me importar com a quantidade de calorias ou açúcar. Mas durou pouco, recomecei dietas de ficar o dia inteiro à base de água, comendo só uma vez ao dia, ignorando a existência de doces e tendo nojo de qualquer tipo de lanche. Obviamente, emagreci bruscamente, minhas roupas ficaram largas e as pessoas da escola começaram a me elogiar, porque eu estava magra e bonita. Ou seja, automaticamente eu me senti realizada, alcancei o patamar que sonhava de ser elogiada pelo meu corpo. O que não sabia na época, é que isso era um efeito passageiro e ficaria anos em efeito sanfona. 

Não conhecia nenhuma referência de mulher curvilínea, na minha vida era extremos de gorda ou magra, meio termo não existia. Então, onde eu me encaixaria? 

Em casa, sempre tive os estímulos errados, para a minha mãe, ser gorda é errado, tenho que comer pouco, fazer exercício e manter o manequim o menor possível. Uma vez que fomos comprar roupa e só a calça 48 me serviu, fiquei semanas ouvindo o quanto eu estava "enorme" e precisava emagrecer, porque se não, nenhuma roupa caberia em mim. Foram doses homeopáticas que fizeram eu ser uma mulher obcecada por não voltar a engordar. 

Hoje eu tenho consciência dos erros que cometi, busco no mágico mundo da internet referências de mulheres com os corpos semelhantes ao meu, como a Naetê ou a Nuta, por exemplo. Assisto vídeos de mulheres que falam sobre distúrbios de imagem, como o canal Eu Vejo, da Daiana Garbin. Tento me cercar ao máximo de informações positivas, mulheres empoderadas e seguras de si. Faço exercícios físicos porque eu quero fazer e não ficar parada sem condicionamento fisíco, me superar um pouco a cada semana de treino, me manter saudável e não paranoica com quantidade de calorias ou açúcares que como. 

Não vou se hipócrita e dizer que estou segura e satisfeita com meu corpo, porque não estou. Ainda tenho momentos que vou no meu grupo de amigas chorar sobre os defeitos que vejo em mim, como queria ser diferente, procuro fotos de Kardashians da vida e me comparo com elas... Revivo alguns momentos da adolescência. Mas tento ouvir a minha consciência mandando eu parar de me depreciar, aceitar como sou e viver a vida como quiser. 

O que quero dizer com esse post é sobre existir vários tipos de biotipos diferentes. Demorei anos para conseguir entender que era normal eu ter quadril e bunda grande, que não precisava passar fome e tentar ser igual a alguém que é magra. E principalmente: ser magra não é sinônimo de beleza. Ser bonita não está ligado ao peso que você vê na balança. 

Meu desejo é que todas as minhas amigas, todas as mulheres que passam por distúrbios de imagem ou problemas com peso, percebam que não precisam se moldar para encaixar em algum padrão. O padrão é que não deve existir, nenhum ser humano tem o mesmo DNA, por que deveriam ter o mesmo corpo? 

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