Um café e uma boa conversa - Entrevista Isabella e Felipe

sexta-feira, maio 05, 2017



Como a maioria das coisas boas da vida, essa também aconteceu por acaso do universo. Estava num dia ocioso e assistindo alguns vídeos aleatórios no Youtube, até que surgiu uma sugestão de um casal com estilo meio hipster, fiquei curiosa e comecei a assistir. Quando percebi, já tinha assistido mais de dez vídeos seguidos. 

O casal eram o Felipe e Isabella, cariocas que escolheram São Paulo para viver e em um determinado momento passaram a fazer vídeos de receitas e drinks para o Youtube no canal Fotografando à Mesa. Gostaram de produzir, se jogaram de vez nessa profissão de youtuber e deram início à saga dos vídeos diários. 

Decidi que precisava conversar com eles, me identifico com a forma que viam as coisas, seus pontos de vista e admiro o trabalho que fazem. Depois de muitos e-mails e agendas que não batiam, conseguimos marcar de nos encontrar na Galeria Metrópole, aqui em São Paulo, em um café absurdamente aconchegante, que não fazia a menor ideia que existia e me apaixonei à primeira vista. 



Assim que chegaram, começaram a gravar algumas imagens para o vídeo do dia e começamos nossa conversa. 

Perguntei se em algum momento eles duvidaram que produzir conteúdo eram o que queriam fazer pra viver e se tinham um plano B, caso não desse certo:

Felipe - Pelo contrário, eu penso que se esse negócio não der certo, ter que fazer alguma outra coisa vai ser uma merda. Em teoria a gente tem [um plano B]. A produtora, que já existe e funciona com um cliente só. Mas já fizemos outros trabalhos, a gente é sempre aberto à conversas, mas não fazemos prospecção de clientes.

Isa - E existem dias que a gente pensa que não é isso que gostaríamos de fazer hoje, assim como qualquer outro trabalho. Mas a gente não pode, né? São vídeos todos os dias. 

Felipe - Mas a gente tá percebendo que pra rolar por um bom tempo, como a gente quer, precisa ser de uma forma saudável também. Fazendo as lives agora, é um dia que não precisamos editar nada. Atualmente estamos conseguindo ter fins de semana livres. A gente tenta parar de trabalhar depois das 18h, mas quase nunca acontece. A gente tem uma bancada de trabalho e as câmeras ficam ali em cima. Por exemplo, são 23h da noite, mas o Bolinho fez alguma coisa engraçada, a gente pega e filma. As câmeras não tem tampinha, não tem capas, ficam sempre ali. 

O casal mais simpático que você respeita

Atualmente há novos algoritmos nas redes sociais, nem sempre todos que seguem um canal no Youtube veem notificações dos novos vídeos, por exemplo. Isso muitas vezes desestimula e dificulta a criação de conteúdo, mas para eles é preciso ir além das reclamações.

Felipe - Acho que isso é um pouco frustrante, óbvio, porque você faz conteúdo e não necessariamente todo mundo que quer, vai ver. Mas por outro lado também acho que não é o mais difícil. Ás vezes as pessoas ficam tão presas nessa briga de só ficar reclamando que elas nem tentam entender quais foram as mudanças que aconteceram e nem tentam se adaptar.

Isa - Mas tem várias formas de entende-lo, temos estudado muito o que faz ele ler melhor o canal ou não. A sensação que dá é que as pessoas reclamam muito e estudam pouco. Porque tivemos um momento de muita reclamação e frustração, paramos e pensamos que precisávamos entender como a plataforma pode trabalhar pra mim, porque estou trabalhando pra ela, mas como ela me devolve o trabalho? 

"O ruim é que não depende só da nossa competência, no final das contas a gente fica dependendo de várias outras coisas que estão completamente fora do nosso controle. Mas eu gosto de pensar que é assim em toda profissão."

Como em qualquer outra rede social, o Youtube é uma plataforma que também abre espaço para os comentários (quase sempre) desnecessários dos haters. Mas eles disseram lidar de forma saudável quando são alvos de energia negativa de alguém.

Isa - Como nós abrimos nossa vida, eles acham que tem o direito de ser escrotos e se meter. Por exemplo, sobre a forma que a gente produz, nosso relacionamento que é poliamor e as pessoas querem meter o bedelho nisso, dizendo que isso não existe. Ou então querem dizer que não posso usar o cabelo do jeito que eu quero, ficam colando links de vídeos antigos falando como eu era bonita. Mas por outro lado a gente gosta de pensar que tem essas pessoas, é porque nosso alcance está aumentando. 

Produzir conteúdo em vídeo é um trabalho incomum, principalmente para quem faz imagens da sua própria rotina. Acordar um dia com dor ou sem nenhuma vontade de ver ninguém já é difícil de lidar para quem trabalha em escritório, por exemplo, para eles a dificuldade é um pouco maior, pois soma com o comprometimento dos vídeos diários. "Ninguém deixa de trabalhar porque acordou mal, a gente também não pode, porque as pessoas esperam nosso vídeo", explica a Isa. 

Fiquei curiosa para saber quais serão os próximos passos em relação ao canal. O nome Fotografando à Mesa, segundo eles, está sendo substituído aos poucos. Hoje, os nomes Felipe e Isabella já estão à frente do canal. Além disso, pensam em criar uma lojinha.

Isa - Se tudo der certo, o canal vai crescer e terá a lojinha também. A gente vai abrir uma lojinha nas próximas semanas. Nunca vendemos produtos, sempre trabalhamos com serviço e é muito diferente. A gente tá apanhando um pouco. 

Felipe - A gente quer fazer coisas diferentes. 

Conversamos durante meia hora e sinto que poderíamos ter ficados mais algumas horas falando sobre a vida e trabalhos. Saí de lá com muito mais coragem de colocar em prática as ideias que tenho pensado em produzir aqui pro blog. Se antes já os admirava, agora admiro muito mais (principalmente por ter me apresentado ao Setzer). 

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