Não são só rosas

quarta-feira, março 08, 2017

Ilustração: HENN KIM

Hoje é o dia da mulher. Poderíamos estar comemorando as nossas conquistas ao longo de décadas de luta, mas a realidade é outra. 

Estamos em 2017 e ainda sofremos violência física e/ou psicológica dentro de casa. Não podemos andar sozinha durante a noite voltando do trabalho ou faculdade, porque sempre temos medo de um homem vir violar nosso corpo ou nos ameaçar. 

Meninas são usadas como mercadoria na prostituição e deixam de viver a infância para sofrerem violência sexual. 

Ainda somos vistas no ambiente de trabalho como pessoas inferiores, que não sabemos o que falamos, sofrendo assédio verbal e sexual de homens em cargos superiores. 

Muitas de nós vivem em relacionamentos abusivos e não conseguem se libertar, ninguém vai interferir, afinal: "Em briga de marido e mulher, não se mete a colher", até haja a morte. 

Sofremos com: 
  • manterrupting, quando o homem nos interrompe no nosso momento de fala em uma reunião, por exemplo;
  • bropriating, homem quando se apropria da ideia de uma mulher;
  • mansplaining, quando homem explica o óbvio a uma mulher, como se ela não tivesse a capacidade mental de compreender.
Seguramos a pressão de ter que casar, ter que ser mãe, ter que cuidar da casa. 

Somos julgadas pela roupa que usamos, pelo nosso corpo, a maquiagem (ou a falta dela), o corte de cabelo. Precisamos seguir o padrão que nos impõe. 

O feminicídio ainda não possui a atenção de justiça e mídia que é necessária, mesmo com 13 mulheres (em média) morrendo por dia no Brasil. 


 Somos julgadas, mortas, violadas, assediadas e machucadas. 

Somos mulheres que brigam todos os dias pela sobrevivência e hoje é o dia que marca nossa luta.




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