Para sempre, Caio

quinta-feira, janeiro 26, 2017

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Sempre me considerei uma pessoa que segura o peso das emoções e dos sentimentos. Cresci me apaixonando pelas poesias de Cazuza e pela melancolia de Renato Russo. Os dois me ensinaram muito ao longo da vida sobre dores de amor, crises existenciais e sobre o mundo caótico e confuso que vivemos.

Eu absorvi muito deles e fiz dentro de mim uma junção do que mais admirei nos dois. Quando comecei a escrever, também me apaixonei platonicamente por Caio Fernando Abreu. O conheci numa biblioteca pública em SP, no meio de dezenas de livros com contos, encontrei Morangos Mofados e li algumas partes. Era como se juntasse Renato e Cazuza numa só pessoa: tristeza, depressão, crises existenciais e miticismo. 

Lembro que quando estava lendo "Para Sempre Teu, Caio. F" pela primeira vez, um professor do ensino médio me disse que era uma leitura pesada, mas recomendaria que todos lessem. Na época eu estava no auge da adolescência e não consegui entender 100% do livro. Acabei desistindo da leitura no meio do caminho.

Mas um desejo que eu mantive era de reler e me aproximar ao máximo de Caio. E consegui.

A sensação que tive ao ler sua história de vida, mesmo que contada por uma outra pessoa, foi de total compreensão do seu desejo de se encaixar, mas não se sentir à vontade em lugar algum, de se doar demais aos amigos, vê-los como família, não dar o braço à torcer quando está mal e vomitar todos aqueles sentimentos esquisitos numa folha de papel. 

Para ele, suas dores eram as maiores do mundo. Um pingo d'água virava uma tempestade, um tufão. Amava sua profissão de escritor e detestava ter que ficar enclausurado numa redação de revista ou jornal. Odiava rotinas ou tudo que o deixava preso física ou emocionalmente. 

De alguma maneira os três tem coisas em comum. E todos mexem comigo de uma maneira inexplicável. É como se seu sentisse que eles me compreendem, mesmo tendo vivido em realidades e épocas diferentes da minha. 

Ao terminar o livro me imaginei numa mesa de bar, bebendo e conversando com os três. Quem sabe isso aconteça em outro plano, que não esse físico que vivo agora? 

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