Tá tudo errado, mas tá tudo bem

quinta-feira, novembro 03, 2016



É fato que sou a pessoa mais complicada que conheço, desde sempre vivo com crises de todos os tipos possíveis e eu aprendi a lidar com isso (demorou um pouco, mas enfim, acontece) à minha própria maneira. Mas nem sempre é fácil, porque a vida sempre dá um jeito de complicar ainda mais as coisas. 

Hoje aos vinte e poucos - me dói um pouco falar isso, pensar que o tempo já passou dessa forma e ainda tem tanta coisa para acontecer - tudo resolve se complicar de uma vez só. Enquanto estou com o pensamento no TCC, por exemplo, chega a fatura do cartão de crédito para me lembrar o quanto eu gastei desgovernadamente durante o mês, sem considerar o meu salário de estagiária. Ao mesmo tempo, me lembro que sou estagiária e talvez ainda não saiba o que quero fazer profissionalmente. Sabe aquela pergunta que toda tia faz: "O que você quer ser quando crescer"? Acho que cresci e esqueci de pensar sobre o que queria ser, estava ocupada demais vivendo. 

Na verdade, eu nunca entendi muito bem porquê deveria escolher assim, do nada, o que queria fazer para o resto da vida. Parecia que ser adulta significava ser uma coisa só para sempre, se eu escolhesse ser professora, deveria ser professora até meus últimos dias de vida, não poderia decidir ser bailarina no meio do caminho.

Tenho certeza que a menina que fui aos 8 anos não estava nem um pouco preocupada com a profissão, o que importava na época era se teria bolo de cenoura com cobertura de chocolate de lanche da tarde depois de passar o dia brincando na rua com as vizinhas. E agora, aos vinte e poucos, bate aquele desespero: faculdade acabando, idade avançando sem eu perceber e nenhuma profissão à vista. Será que eu preciso realmente decidir tudo assim, de uma vez? 

Eu quero poder mudar de ideia, mudar de curso, profissão, vida! Independente da idade ou do tempo. E se quando eu fizer 45 anos descobrir que na verdade eu nasci para ser engenheira (o que duvido muitíssimo que aconteça, é só um hipótese bem remota)? Eu quero poder ser engenheira aos 45 anos sem ninguém me julgar por isso. 

A cobrança para ter uma vida quadradinha, bem sucedida igual aos filmes de mulheres bem resolvidas financeiramente, emocionalmente e profissionalmente é ridícula. Eu simplesmente não faço ideia do que vou fazer ano que vem, mal sei o que farei amanhã. Se me render à todas as cobranças que ouço diariamente, enlouqueço em menos de 24 horas, a saída é simplesmente viver, deixar as coisas acontecerem ou não. 

Talvez ano que vem eu resolva mudar tudo de lugar. Ou fique na mesma rotina para ver até onde vai. 

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