Aceitação

domingo, novembro 27, 2016

Ilustração - Isis Reis

Nos últimos meses eu aprendi muito sobre mim mesma, graças às pesquisas que fiz sobre feminismo, empoderamento, gordofobia e aceitação do próprio corpo que fiz para a elaboração da minha tese de TCC. Mesmo tendo ainda muito o que evoluir e desconstruir, resolvi (depois de muito tempo escrevendo e apagando vários textos que pense em postar aqui) compartilhar aqui no blog.

Eu nunca me aceitei, nunca consegui me olhar no espelho e amar a pessoa que estava refletida ali. Sempre me considerei a pior do mundo, a mais feia, gorda, esquisita e que não podia usar as roupas da moda porque ficaria ridícula. Durante toda aquela fase conturbada e confusa da adolescência alimentei esses sentimentos em mim e isso ia me quebrando aos poucos, porque cada vez mais me sentia inferior às outras meninas que conhecia. 

Dentro de casa ouvia da minha família que estava grande demais para a minha idade, precisava parar de comer besteira, onde já se viu uma menina de 15 anos com pernas grossas desse jeito? Se continuar assim vai explodir. Isso foi sendo absorvido por mim de tal forma, que tomei tudo isso como verdade absoluta, eu era exatamente o que me diziam. 

Cresci fazendo dietas que encontrava nas revistas, exercícios para fazer em casa e emagrecer 4 kg em uma semana. Mas nunca conseguia me manter, vinham os momentos de tristeza ou ansiedade e voltava ao peso anterior. 

Porém, nos últimos meses tive o prazer de conhecer mulheres maravilhosas que dividiram suas inseguranças e seguranças comigo, me mostraram que é normal ter aquele dia de se sentir feia, mas que isso deve ser passageiro. Me ensinaram que o corpo da Pugliesi não é o mesmo que o meu e está tudo bem, somos pessoas diferentes e eu não preciso tentar ser igual a ninguém. Essas mulheres, mesmo aquelas que eu só tive acesso através dos seus livros publicados, me mostraram que somos humanas e não bonecas perfeitas.

Aquela adolescente insegura e que odeia cada parte do seu corpo ainda existe em mim, de vez em quando ela ressurge querendo fazer eu me sentir pior que um lixo e ás vezes consegue. Mas depois de aprender tanto e de ouvir histórias de mulheres tão guerreiras, luto cada dia mais para não deixar a insegurança se sobrepor a quem sou de verdade. 

Esse corpo vou habitar até o fim da vida, não importa o quanto eu engorde, emagreça, faça procedimentos estéticos e etc, ele será minha casa e eu preciso aceitá-lo do jeito que é. Essa aceitação é um exercício que pratico diariamente e pretendo me fazer tão forte quanto sempre sonhei em ser. 

 Se você ainda se sente errada no mundo por não ser igual a alguém, pare e pense que você basta. Você é única e deve se tratar como tal


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