Um dia a mais ou um dia a menos?

sábado, agosto 13, 2016



O despertador tocou, no mesmo horário de sempre e aquele peso de ter que levantar do aconchego da cama toma conta do corpo inteiro. Ficou deitada alguns minutos, olhando para o reflexo que o sol forte de início de verão fazia no teto. Pensou seriamente em deixar as horas passarem, deixar o trabalho de lado e ficar longe do mundo exterior, sem problemas e sem ter que lidar com pessoas. 

Inspirou e expirou dezenas de vezes, buscando força interior para levantar-se. 

Não havia vontade nem de passar maquiagem para esconder as olheiras, pegou a primeira roupa que encontrou em cima da cadeira do quarto, não tinha mais paciência para combinações, a prioridade era o conforto. Tomou um café da manhã rápido, até mesmo a vontade de comer já estava ausente. 

Seguiu seu caminho a pé para o trabalho, prezava por apreciar a natureza despertando. As folhas das árvores esverdeando, os pássaros dando bom dia e o sol abraçando e aquecendo os prédios frios e cinzas. Passava sempre pelas mesmas pessoas, no mesmo horário, como se as rotinas se encaixassem e se cruzassem. 

Chegou no trabalho e se sentou com todo o peso de seus problemas sobre os ombros, a cada dia o peso aumentava e ficava mais difícil de sustentá-los. Os assuntos com seus colegas eram aleatórios e fúteis, notícias que apareciam nas redes sociais, contando os minutos para a hora do almoço. 

Anos fazendo sempre as mesmas coisas, sem saber onde a vida vai parar e o que mudar. As amizades haviam ficado mais distantes, cada um com seus próprios pesos nos ombros para carregar. Lembrava-se de seus planos quando era criança, imaginava sua vida perfeita, como poderia dar errado?

Em casa, chegou e preparou um chá para dormir. O cansaço persistia, mas o sono desaparecia. Ficou horas pensando e planejando uma mudança, olhando para o teto e imaginando quando tudo isso iria mudar. Mais um dia se foi e tudo continuava igual. 

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