A chance única

domingo, maio 08, 2016




Nós temos somente uma vida para fazer tudo dar certo. Somente uma chance, que pode ser longa ou curta, de realizar todos os nossos desejos e sonhos, conhecer alguém que nos faça feliz e completo e deixar um pouco de nós em nossos filhos. 

A pressão psicológica que somos obrigados a viver durante nossa vida inteira é imensa. São cobranças por todos os lados, desde quando nascemos até o último minuto de consciência. É difícil, no meio disso tudo, encontrar um tempo -por menor que seja- para parar e pensar no que realmente queremos fazer. Se você é a pessoa que pode ter um mês sabático antes de escolher qual a faculdade faria, ou que pode começar a trabalhar somente quando terminou os estudos e quis sair de casa, saiba que você faz parte da minoria mundial de pessoas que possuem o privilégio do tempo. 

Eu mesma tive que traçar meus objetivos para até meus 40 anos desde que tinha 10. Meus pais já martelavam na minha cabeça todo um cronograma pensado desde que nasci: quantos anos levaria para chegar na faculdade (repetir algum ano na escola era inadmissível), quanto tempo demoraria para me formar (novamente, sem repetir nenhum semestre ou com pendencias), em quantos anos eu compraria minha casa própria com meu carro na garagem e trabalhando em uma multinacional ganhando mais de três dígitos por mês. 

Bem, resumindo, não alcancei suas expectativas. 

Eu sinto essa pressão de ter a vida planejada e milimetricamente perfeita desde pequena e talvez isso tenha colaborado para que eu seguisse o caminho inverso. 

Amo a liberdade, meu maior desejo é poder viajar todo mês para um lugar diferente, conhecer pessoas novas, lugares novos. Aceito que trabalhar é necessário, mas não suporto ficar em um escritório em um bairro onde só se vê prédios pela janela e trânsito, sentada em frente a um computador durante horas para depois ficar sentada durante horas em um ônibus lotado até chegar em casa e dormir. Trabalhar, para mim, teria que ser com o que mais gosto de fazer (o que, talvez, eu ainda não tenha descoberto, mas estou a caminho). 

Quero ter minha própria casa, mas me recuso a esperar juntar dinheiro e comprar uma casa em um bairro tradicional da cidade. Quero me arriscar, ir alugar um apartamento e decorá-lo para que tenha minha identidade nele, receber meus amigos e ter um cachorro para me fazer companhia. Carro, não faço muita questão, mesmo odiando andar de ônibus. 

Quero tantas coisas, mas ao mesmo tempo tenho poucas certezas e, quando paro para pensar que tenho somente uma chance, uma vida, para cumprir minhas próprias expectativas, atingir meus próprios limites eu entro em desespero. O que penso todos os dias é: Será que vou chegar “lá” só com uma chance de acertar?

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