Vida pré-estabelecida

terça-feira, fevereiro 16, 2016



Eu só queria um tempo de tudo e de todos, não aguentava mais a rotina, ônibus cheio no início e no final do dia, cobranças vindas de todos os lados possíveis. Já me disseram que é normal se sentir sobrecarregada nessa fase da vida, mas confesso que esperava que fosse mais fácil de lidar.

É como se tudo tivesse que acontecer o mais rápido possível, há metas impostas por sabe-se lá quem que devem ser cumpridas no prazo exato, caso contrário, a minha vida pode ser considerada um fracasso e ninguém sentirá orgulho do que eu fizer. 

Quando paro para pensar nisso, percebo o quanto estou perdida, em praticamente todos os âmbitos da vida. Dizem que é normal, todo mundo passa por isso e, na hora certa, encontram o que amam fazer e fazem a mesma coisa até morrer, repetidamente, sempre igual. Mas quem é que iria querer fazer sempre a mesma coisa? Até mesmo os imprevistos passam a ser parte da rotina. 

Há algum tempo percebi que gosto de viver dias diferentes, me sinto tão revigorada quando acontece algo que não estava programado, saio do trabalho e vou encontrar algum amigo para conversar e andar sem compromisso nenhum. Ou recebo um e-mail que me faz sentir frio na barriga e ansiedade durante semanas. 

Decidir viajar, mesmo tendo dezenas de contas para pagar, ou até mesmo pegar a bicicleta empoeirada e sair pelo bairro observando as pessoas andando apressadas para chegar em casa o mais rápido possível para dormir e recomeçar tudo novamente no dia seguinte. Descer uma ladeira o mais rápido que eu conseguir pedalar, só para sentir o vento na cara e aproveitar alguns segundos de liberdade. 

Eu só queria não ter planos para seguir. 

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