Desisti de tentar

quarta-feira, fevereiro 24, 2016



Aprendi com meus pais que a vida é questão de escolha. Você pode escolher ser uma pessoa que segue os princípios éticos da sociedade ou ignorar completamente a existência de regras e leis. Você pode escolher trabalhar, estudar e quem sabe realizar o sonho da casa própria ou viver às custas dos pais até enquanto a vida deixar. São dezenas e, talvez, até milhares de escolhas que fazemos desde quando nascemos até o dia da nossa morte. Pois bem, dito isso deixou aqui registrada uma das minhas escolhas: Desisto. 

Tentei por anos da minha vida ser o tipo de pessoa que traça metas, plano de carreira, objetivos com data prevista a serem cumpridos. Juro que tentei ser a típica boa aluna que vai para a faculdade, vira motivo de orgulho na família, se forma com honrarias, conquista um bom emprego dentro do mercado de trabalho previsto de acordo com o diploma adquirido, compra um carro, tem uma vida completamente independente e estável com direito a casa própria. 

Tentei ser a garota que sonha em se casar de véu e grinalda em uma cerimônia clássica em uma igreja tradicional, talvez até a mesma que meus pais se casaram, por que não? Tentei também ser uma pessoa organizada comigo mesma, ter meu dia programado, sempre igual, com a mesma rotina e amar cada detalhe disso. Tentei gostar de trabalhar em grandes empresas, com o horário de trabalho das 8h às 18h, sem reclamar quando tiver que fazer horas extras nos finais de semana, talvez até passar alguns anos sem férias, afinal todos devem amar o trabalho e viver por ele e para ele acima de qualquer coisa, caso contrário, como conseguiria ter a vida social que meus pais planejaram que eu tivesse? 

Ah, não posso esquecer que tentei seguir as dietas da moda, fazer os exercícios que disseram que secam a barriga e empinam a bunda em duas semanas para o verão. Tentei me fazer encaixar nos manequins com padrões americanos, buscar o cobiçado "espaço entre as coxas" e "barriga negativa".

Mas hoje percebi que não adianta eu tentar tudo isso, se nada eu faria por mim mesma, mas sim pensando nas impressões das pessoas sobre mim. Não gosto de rotina, não gosto de trabalhar rodeada de pessoas engessadas de terno e gravata correndo de um lado para o outro e vivendo pelo trabalho que odeiam só pelo dinheiro e pela esperança de roubar o lugar do chefe algum dia, não gosto da ideia de ter que rejeitar dividir uma sobremesa com meus amigos só pra me igualar à famosa fitness das redes sociais que ganha milhares de reais para dizer subliminarmente para garotas que ser magra é o mais bonito. 

Fiz a opção por viver, mesmo que da maneira errada, não cumprindo expectativas impostas à mim. Se só tenho uma chance nesse planeta, por que disperdiça-la fazendo o que não gosto?

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