Quando os enxerguei pela primeira vez

quarta-feira, janeiro 06, 2016



Quando você tem uma rotina de caminho, acaba prestando atenção sempre nas mesmas coisas que vê. E isso acontece comigo, mas de uma forma menos usual.

Eu os vejo todos os dias, por volta das 9h30 da manhã. Passo na frente da mesma praça que eles praticam suas caminhadas matinais. Nos primeiros dias, mal os percebia, minha cabeça estava (e está) sempre longe demais e mal prestava atenção nas pessoas que passavam na rua. Mas em um momento, me chamaram a atenção, os dois andando lado a lado, sem pressa, como quem não tem hora marcada em lugar algum, nenhum compromisso a cumprir, apenas viver.

Aparentavam ter entre 60 e 70 anos, ela menor do que ele, ambos de cabelos branco e esvoaçantes como nuvens. Em alguns momentos sentavam e ficavam olhando um para o outro, talvez conversando, talvez apenas observando.

Fiquei pensando o quanto eles devem ter vivido até aquele momento, quais histórias suas rugas contariam, quais as dificuldades que trouxeram o olhar cansado e se havia valido a pena chegar onde estavam. Imaginei quantas vezes eles devem ter duvidado que chegariam até ali juntos, ou até mesmo se separado e reatado ao longo do tempo. Pensei também na possibilidade de terem se apaixonado à uma altura da vida onde muitos creem que não é mais aceitável, por que não?

Na vida que eu criei para os dois na minha imaginação, eles tiveram uma vida cheia de altos e baixos, separações e até uma traição de alguma das partes, mas nunca desistiram de tentar, sempre quiseram saber o quão longe iriam juntos, porque sabiam que separados não aguentariam os baques que a vida dá. Chegaram até hoje, compartilhando medos, inseguranças, felicidades e tristezas, e fazem questão de apreciar o sol todos os dias de manhã para lembrarem o quão bom é estarem vivos.


Você também pode gostar de:

0 comentários

Subscribe