A bomba e a cama

domingo, novembro 29, 2015


Nunca pensei que fosse voltar à escrever no meu caderno velho com folhas amareladas. Até tinha esquecido da flor que guardei lá dentro, está ressecada, mas ainda com cor, ela me lembra do dia que fiquei sozinha sentada na grama observando as pessoas, como tenho o costume de fazer, e escrevendo o que vinha à cabeça. 

E agora estou sozinha, deitada na cama há mais de 12h sem levantar nem pra cozinhar algo pra comer. Meu apetite se foi junto com a vontade de sair de casa. Acompanho as mudanças de estações do ano através da minha janela, não me lembro mais qual a sensação de sentir a brisa de outono balançar meus cabelos, ou o sol quente do verão queimar minha pele sem piedade alguma. Cheguei à conclusão que é perca de tempo interagir com outras pessoas, todas são tão previsíveis e óbvias, clichês e sem a menor graça. O que há de bom  no ser humano, afinal? 

Sempre tive um bom sexto sentido, conto em uma só mão as vezes em que ele me enganou. E com o tempo fui percebendo que as pessoas são extremamente egoístas. Até mesmo aquelas que prestam serviços comunitários, vão à igreja todo domingo e cuidam de animais abandonados, em algum momento e com alguma outra pessoa, elas são egoístas e egocêntricas. Não tem como fugir, esse é o instinto do ser humano, é isso que nos faz ser mais desprezíveis do que qualquer inseto nojento. Exagero? Sim. Mas com razão. 

Já encontrei tanta hipocrisia na minha frente, que me dava náuseas. Falsidade e falta de compaixão que me faziam perder a esperança que pessoas fossem capazes de fazer algo bom. Por isso meu quarto, minha cama, se tornaram o melhor lugar pra gastar o resto da minha vida. Como Bukowski escreveu uma vez "As duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo". Já que não possuo bomba atômica, fico com a primeira opção. 

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