Quando a encontrei.

domingo, março 22, 2015




Eu a conheci por um acaso da vida, numa dessas tardes sem motivação alguma, caminhando para esvaziar a cabeça. Tomei café, comi um pão na chapa na padaria da esquina e, quando saí dei de cara com a mulher mais bonita que já vi na vida. Ela me olhou durante um tempo, se aproximou e perguntou onde ficava o número 560. Estava usando uma saia social na altura dos joelhos, sapatos de salto, cabelos soltos nos ombros fazendo uma moldura para seu rosto delicado e levemente maquiado. Observei cada detalhe que pude, inclusive se usava algum anel que se assemelhasse com aliança, mas não encontrei.

Disse a ela que poderia acompanha-la até o número 560, embora ela insistisse que não fosse preciso, e que poderia somente lhe explicar como chegar sozinha, não dei o braço a torcer e fomos juntos até o prédio. No caminho ela me contou que estava em cima da hora de uma entrevista de emprego, já havia feito inúmeras e que estava à beira da desistência; era formada em administração, mas não conseguia nada na área há um tempo, então passou a se candidatar para tudo que fosse possível, até mesmo vendedora de loja de roupa. Não estava fácil se sustentar sozinha em uma cidade tão grande, tendo que arcar com todas as despesas da casa, já que sua colega de apartamento resolveu morar com o namorado – ou noivo, ou sei lá o que, não prestei atenção nessa parte-.  Observava a maneira como mexia nos cabelos, nervosa e ansiosa; de vez em quando olhava o relógio com medo de chegar atrasada, conferia os bolsos e mordia os lábios quando estava com dúvida se deveria ou não continuar falando sobre sua vida para um cara estranho que encontrou saindo de uma padaria às 10h da manhã.

Na porta da empresa onde seria sua entrevista, ficamos nos olhando por um tempo. Eu queria desesperadamente pegar sua mão, sair correndo para o mais longe possível e cuidá-la da melhor forma que me fosse possível, comprar tudo que a fizesse feliz, cozinhar pra ela nos finais de semana e amá-la antes de sair para o trabalho, já ansioso para voltar e vê-la sentada no sofá quase cochilando, me esperando.

Nestes poucos minutos visualizei nossa vida, sabia eu seria capaz de fazê-la feliz, sabia que havíamos nos encontrado porque a vida resolveu me dar mais uma chance de fazer as coisas certas. Ela me agradeceu com um aperto de mão, disse que não era preciso eu ter ido até lá, mas que fora agradável nossa conversa. Eu a desejei boa sorte com toda a minha sinceridade, quis abraçá-la, mas achei que seria demais, então apenas retribui o cumprimento. Ela subiu as escadas se benzendo e pedindo a Deus que desse tudo certo, eu continuei meu caminho olhando para trás e pedindo a Deus que a encontrasse de novo por aí.

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