Nunca te chamei de amor - Prefácio

sexta-feira, novembro 07, 2014

Estamos aqui no meio de todo esse caos desta cidade imensa, só eu e você parados no cruzamento de duas avenidas. De todos os lados têm carros passando, gente correndo pra chegar no trabalho no horário, adolescentes sonolentos se arrastando para a escola. Você está parado há mais de uma hora sem dizer absolutamente nada e confesso que também não sei o que ou se devo dizer algo. Estou com frio e esta é a primeira vez que tenho medo (ou vergonha) de lhe pedir um abraço aconchegante, daqueles que sempre consegue me aquecer, por mais que os dois estejam congelando, seus abraços sempre foram os melhores que eu poderia ter no meio de um dia corrido, sabia que nos seus braços estava protegida. Seus olhos estão triste e vazios, pela primeira vez, em todos esses anos que nos conhecemos, te vejo com esse olhar e isso me dói tanto que sinto vontade de me encolher. Queria conseguir gritar tudo que está aqui dentro de mim, trancafiado a sete chaves com todos os meus medos, mas a única coisa que faço é sofrer com essa agonia. 

Vivemos muitas coisas juntos, mais do que já vivemos separados. Acho que merecemos um fim melhor do que este. 

Você também pode gostar de:

0 comentários

Subscribe