Nunca te chamei de amor - Parte um

segunda-feira, novembro 10, 2014

De alguma forma gosto de pessoas incomuns, que despertem minha curiosidade e me instigam. Foi por isso que, durante mais uma sexta feira no mesmo barzinho e com as pessoas de sempre, fiquei intrigada com o rapaz novo que tentava se enturmar com quem parasse ao seu lado. Já tínhamos secado umas quatro garrafas de cerveja, pelo que me lembro, e eu começava a rir à toa enchendo o saco dos meus amigos. Estava na fase de falar o que me dava na telha, a boa e velha sinceridade de uma semi-bebada. Fui até o balcão pedir uma caipirinha pra encerrar (ou começar) a noite, o estranho sem turma continuava encostado na parede como se a impedisse de cair, cheguei bem próximo e perguntei porque estava tão desanimado, ele me disse que não conhecia ninguém e só precisava beber pra aliviar o calor que estava fazendo. Puxei-o pela mão e fiz uma apresentação rápida para todos da mesa. 

O nome dele era Felipe. 
Tentei conhecê-lo melhor, mas ele vestia uma armadura, não queria responder nenhuma das minhas perguntas e quase nunca falava. Quando o bar fechou, fomos andando até o ponto que nossos caminhos se divergissem. Eu poderia ser facilmente confundida com um zumbi caminhando pelas ruas com o sol quase nascendo, Felipe olhava para meus tropeços e reclamações de como estava ficando claro e ria com o canto da boca. Fingi não perceber, mas vi que se divertia às minhas custas. 
Não nos despedimos, apenas segui meu caminho e o deixei para trás, inconscientemente sabia que nosso contato acabaria ali. 
Cheguei no meu apartamento e me joguei no monte de almofadas no chão da sala. Não sei ao certo quanto tempo dormi, acordei e já estava escurecendo - ou amanhecendo-, me perdi nas horas. Fiz um café forte, sentei perto da janela do quarto que tinha vista para a única praça do bairro e fiquei imaginando quem afinal era o tal Felipe que apareceu ontem. Tentei não criar expectativas de vê-lo outra vez, mas algo dentro de mim dizia que eu ainda o veria muitas vezes. 

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