Roteiro fracassado

quarta-feira, setembro 10, 2014

Há alguns dias - ou semanas, talvez- parei pra pensar no quão ridículo é ter que seguir uma rotina, fazer sempre as mesmas coisas, nos mesmos horários até chegar o fim de semana e conseguir parar para respirar e fazer algo que realmente goste, nem que seja dormir mais um pouco ou caminhar pelas ruas do bairro sem hora marcada em qualquer lugar.

Desde que me entendo por gente, fui ensinada que devemos estudar direitinho, manter notas altas, entrar na faculdade para se formar e ter uma profissão digna e reconhecida aos olhos da sociedade, trabalhar durante 30 anos (ou mais) em um lugar que te pague o suficiente para ter uma vida melhor que nossos pais tiveram - assim como a vida deles foi melhor que a dos nossos avós, e assim por diante-, ter filhos e repetir o ciclo até ficar cansado e velho demais para continuar neste mundo. Agora me pergunto: Quem foi que disse que eu quero ter uma vida assim? Quem me perguntou se, por acaso, eu queria viajar pelos estados do meu país, conhecendo lugares e pessoas novas? Quem, em algum momento, me avisou que essa vida regada de regras estúpidas me faria ser apenas mais uma pessoa chata e insatisfeita?

Ninguém.

E é por isso que eu não entendo por quê , quem resolve fazer o que tem vontade, é visto como um delinquente, um vagabundo depravado que, ao invés de ficar fazendo música, ou pintando, ou escrevendo, deveria estar trabalhando em um lugar 'normal', pegando ônibus e metrô lotados todos os dias e tendo uma vida medíocre e infeliz.

É extremamente frustrante você perceber que seu dia se resume em lugares que você detesta com pessoas completamente babacas que também estão infelizes, mas que continuam em suas rotinas porque estão acomodadas e seria muito trabalhoso mudar drasticamente, sair dos padrões e buscar a felicidade. Não consigo me lembrar qual foi a última vez que cheguei em casa, no início da noite, me olhei no espelho e disse pra mim mesma que estava completamente realizada com a minha vida. Não estou dizendo que sou infeliz ou qualquer coisa do tipo, mas também não estou nem um pouco satisfeita em ter que viver de uma maneira que não está me trazendo muitas alegrias, de não poder mostrar ao mundo quem eu sou sem precisar seguir o roteiro de vida perfeita que existe.

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1 comentários

  1. Boa noite Amanda.

    Adorei seu texto, muito intrigante e diz tudo em um desabafo onde ninguem poderia nem idealizar num momento tal raciocinio.

    Vivemos em um mundo realmente globalizado onde todos se englobam e realidades tão rotineias e sentimentos superficiais nestas que hoje nem sabemos mais oque é real ou não.

    Falo sobre o mesmo em um dos meus contos postado no meu blog, http://bdcontos.blogspot.com.br . Pode ser que possamos trocar experiencias e expectativas.

    Seguirei-a.

    Agradeço sua atenção.

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