Tive que deixá-lo ir.

quinta-feira, agosto 21, 2014

Fiquei o dia inteiro pensando em quando encontrei ele pela ultima vez, nem parecia mais a mesma pessoa da época que estávamos juntos, o rosto de menino meigo deu lugar à um jeito rude com barba por fazer. Mesmo enquanto estava ouvindo pedidos de afazeres do meu chefe, imaginava se ele estava trabalhando com fotografia, como sempre amou. Em tudo que fazia, algo lembrava ele, seu jeito, suas manias ou simplesmente a imagem de seu rosto vinha à minha mente em um momento de ócio.

Foi-se anos desde nossa despedida definitiva, e até hoje as palavras por ele proferidas traz à tona sentimentos que achava estarem extintos dentro de mim. Aquele "te amei, te amo, te amarei" acompanhado de um abraço sincero foi, talvez, o gesto mais bonito e mais doloroso que tive o prazer de receber em todos os meus anos de vida. Uma das qualidades que sempre admirei nele era a capacidade de ser doce, dramático e romântico ao mesmo tempo. Me abraçava como quem tocava uma porcelana, me amava com a intensidade de uma chama ardente.

Nunca falei muito dele para outras pessoas, o guardava somente em mim, não queria dividi-lo com mais ninguém, meu egoísmo era imenso. Da nossa história, só nós entendíamos. Sempre me perguntavam porque eu o amava tanto, porque me doava tanto para nosso relacionamento e eu nunca soube responder, era algo que estava acima da minha compreensão. Como aquelas obras de arte extremamente abstratas, só o pintor sabe o verdadeiro significado, quem a vê de fora não compreende com tamanha emoção.

Tudo foi muito intenso, ele tinha a capacidade de transformar um momento simples, como almoçar fora em um domingo, em um dia memorável apenas com sua presença e suas palavras ditas na hora certa. E, foi por causa desta intensidade que vivemos 10 anos de histórias em apenas 2 anos de convivência. Com ele não era suficiente ter uma rotina e estar lado a lado, não fui capaz de acompanhar seu ritmo, me vi obrigada a deixá-lo ir.

Já estava amanhecendo, podia ouvir os pássaros que moravam nas árvores do bairro saudando o sol que nascia no horizonte cinzento dessa cidade gigante. Passei a noite em claro, sozinha, lembrando da falta que ele me faz. 

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1 comentários

  1. Deixei que ele fosse, mas não podia imaginar a falta que teria em mim.

    Beijos

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