Sua ausência

quarta-feira, agosto 06, 2014





23h30-

Acordo meio torto de um cochilo no sofá. O cd que estava tocando já se calou há algum tempo. A luz do sol já cedeu seu espaço à lua. E eu estou aqui, sentado num sofá pequeno, sujo de cinzas dos cigarros que fumei a tarde inteira, isso é culpa sua sabia? O cigarro. Foi você que me ensinou a tragar e eu o fazia pra você ficar orgulhosa de mim. Toda vez que eu coloco um cigarro na boca, é como se sentisse seus lábios nos meus novamente.

00h50-
O relógio faz seu trabalho, fica tique-taqueando a cada segundo que passa, não me deixa esquecer que o tempo avança enquanto estou aqui mergulhado na melancolia. As frequentes
 xícaras de café sendo minha anestesia.

1h45-
O sono se perdeu e não conseguiu me encontrar, mas a falta que você faz continua aqui, sentada do meu lado, olhando pra a minha cara, me desafiando. Minha vontade é ir até a sua casa, agora de madrugada, tocar sua campainha incansavelmente até você levantar com sua cara de sono, seu cabelo bagunçado num coque e ser surpreendida com a minha imagem degradada pelo tempo e pelo seu amor. Barba mal feita, dignidade mal feita. Sei que você bateria a porta na minha cara sem dizer uma só palavra e isso me faria querer acabar com esse meu resto de vida ali mesmo.
Mas fui sensato, pelo menos desta vez, eu me controlei e fiquei entre as quatro paredes do meu quarto, só com a saudade me fazendo companhia.

4h
Me rendo à saudade, me rendo ao amor que ainda sinto por você. E reconheço que não faço falta na tua vida, você soltou minha mão, agarrou a do outro e seguiu em frente. Poderia lhe desejar todo o mal desse mundo por ter pegado meu coração e usado ele da forma que bem quis, mas não vou fazer isso. Desejo que o universo conspire a seu favor, que aconteça o que tem que acontecer. Porque pra mim, já acabou há muito tempo, tudo acabou no momento que você soltou minha mão.

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