Sua lembrança

segunda-feira, julho 28, 2014

Mais um pôr-do-sol, mais um começo de noite monótono. O vento vai ficando cada vez mais frio e as ruas mais vazias. Poucas luzes estão acessas e eu procuro, em meio aos meus papéis, a carta que você me escreveu. Eu a coloquei sobre a mesa da sala de estar e a observei por um longo tempo. Peguei um copo d’água gelada e continuei a observá-la; Não sabia se faria bem pra eu reler aquela carta. Olhei pro meu toca-discos e resolvi colocar nossa música pra tocar; fiquei dançando sozinha no meio da sala e me lembrando de quando morávamos juntos e ouvíamos essa mesma música repetidas vezes, dançando, cantando ou simplesmente apreciando-a.
 Ah, como era bom dividir um lar contigo. 


Nossas bagunças, nossas discussões por coisas do dia-a-dia. Nossas roupas jogadas ao pé da cama, seu incrível bom humor matinal. As manhãs de sábado e as madrugadas de domingo. Tentativas (frustradas) de cozinhar um prato diferente. Tudo isso me faz falta. Hoje, não tenho ninguém pra dividir um momento bom, companhia pra assistir um filme ruim na televisão, nem uma pessoa pra me acordar aos domingos e me fazer ir até o parque caminhar.


Essas lembranças me matam aos poucos, todos os dias. E, ver sua carta de despedida de novo, me fez ver e sentir a sua presença de novamente. De alguma forma, reler suas últimas palavras, me fez sentir viva mais uma vez, por mais que eu me sinta culpada em dizer isso.


Ainda não tive coragem de te procurar, mesmo depois de tanto tempo, m
e acho uma tola em pensar que você poderia me perdoar. Porque eu sei que, o que eu fiz, foi imperdoável e eu te entendo.
Eu só queria ter tido tempo de lhe pedir perdão por ter acabado com a confiança que você tinha em mim. Me perdoa por ter me deixado levar por tão pouco, por algo tão fútil. Aquela noite que te traí, é um arrependimento que vou levar comigo por toda a eternidade.

Meu verdadeiro amor foi, é e sempre será você.

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